7 de nov. de 2007

O Conto da Cegonha Loser

Para inaugurar estou postando esse pequeno conto que escrevi, inspirado nas conversas com uma de minhas melhores amigas, a Kel.

O Conto da Cegonha Loser

Essa cegonha vivia com seu bando, porém nunca havia conseguido fazer uma entregue correta. As outras cegonhas mais populares viviam rindo dela, ainda mais depois da memorável entrega feita pela Cegonha Loser: entregou uma criança japonesa para um casal de nigerianos.

Os dias eram difíceis para Losergonha, esse era seu nome. As outras mais competentes, de asas brilhantes, e cheias de medalhas de honra ao mérito fixadas no peito, tinham sempre os ninhos mais fofos, adornados com ervas aromáticas, comiam o Alpiste da marca mais badalada no mercado, e só faziam entregas internacionais de crianças ricas.

Existiam outras cegonhas não tão maravilhosas, mas porém competentes. Algumas até davam atenção a Losergonha. Mas sempre estavam ocupadas, pois queriam um dia fazer os vôos internacionais primeira classe.

Haviam ainda as cegonhas robustas e fortes, mas sem muita imaginação e personalidade encarregadas de entregar várias crianças ao mesmo tempo. Eram as cegonhas-busão. Entregavam os mais humildes. Losergonha admirava a força de uma chamada Marcopolo que entregava cada vez pelo menos 60 crianças.

Mas o grande acontecimento na vida de Losergonha aconteceu em meados dos anos 80. Certa tarde o chefe responsável pelo departamento de entregas chamou Losergonha e disse:

- Tu terás mais uma chance! Terás de entregar essas duas crianças, que foram mandadas para descer e arrasar. O endereço é simples e o mesmo para ambas crianças. Entregue-as em Berço Esplendido.

Então Losergonha respondeu:

- Farei isso e provarei que posso ser uma boa cegonha. Qual o nome dos bebês?

- Essa aqui se chama Kelzinha e esse aqui Lipeto.

- Então está bem, parto agora mesmo.

E lá se foi Losergonha, com os bebês enrolados em um lindo pedaço de seda furta-cor.

Depois de um bom tempo voando, toda feliz da vida por terem lhe dado tal tarefa, ela considerou que o ponto de entrega estava próximo e resolveu consultar seu mapa. Mas era não era um top-cegonha. Era Losergonha. E por isso o destino fez valer seu karma. Uma bela cegonha-fêmea passou em sua frente e distraída entre o mapa e a popozugonha, Losergonha deixou a menina cair do lenço.

Ela tentou voar para baixo, mas no meio das nuvens ela perdeu a menina de vista. Mas ela não iria desistir assim tão fácil, e voou por dias e mais dias e noites e mais noites. Espiou em diversas casas. Mas não teve sucesso.

Estava desesperada, ela precisaria encontrar a menina. No desespero resolveu encher a cara. E meio bêbada saiu voando a procura, de noite. Perdeu-se, foi parar muito, mas muito longe do lugar onde deixara a menina cair. E então mais outro golpe do destino. Passou num lugar onde havia uma comemoração, algum time de futebol havia ganhado um campeonato.

Um foguete 12 tiros acertou em cheio o peito de Losergonha. Tadinha...bateu a caçuleta! E o menino caiu...e também encontrou um lar.

E foi assim que as duas crianças feitas para serem A causa, separaram-se.

3 comentários:

Kel disse...

Bem, antes que o blog se torne mais disputado que a coleção do Roberto Cavalli para a H&M deixo aqui meu comentário inaugural:

O conto da Losergonha é uma belíssima lenda. A superação dos personagens traz uma linda "moral" para pessoas de todas as idades.

Só senti falta de dois sapos em sua narrativa.

Sucesso,

Beijos

Gabee disse...

Eu, Gabriela, como segunda comentarista,porém, primeira no coração de Lipe, declaro que este homem tem uma imensa criatividade.

Sentí falta dos cangurus australianos na história,mas nada é perfeito.

MUITO SUCESSO, Gabi

Unknown disse...

Eu, Tali sem cegonha, deixo aqui meu comentário.

Curti... curti a história... queria saber se alguma cegonha beuda/junkie me deixou aqui para causar... eu acredito que si...

Arrase Lipe meu amor...


Saudades sempre


SUCESSO, biw.